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o que eu não contei em agosto...

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... é que enquanto eu escrevia os 31 posts do mês, lov e eu estamos de mudança de casa!

Vou contar essa história do começo. Estamos nessa casa desde abril de 2020. Pouco tempo antes, a proprietária (vagabunda kkk) tinha pedido a casa de volta. É amigos, os perrengues do aluguel. Segue a vida.

Encontramos essa casa a partir de algumas restrições: precisava comportar as cachorras e precisava estar perto de um ponto de ônibus, já que na época eu trabalhava presencial e fazia ~1:20h por trajeto. Estar perto do ponto resolveria uma boa parte do dia a dia. Assim que mudamos já estourou o CODIV 29 e já passei a trabalhar remoto e sigo assim até hoje.

A casa é antiga, porém reformadinha, tem uma boa iluminação natural e a primeira vista parece espaçosa. Tem um corredor de cimento pras cachorras, não é lá muita coisa, mas serve pra elas fazerem os xixi delas. Curiosidade: elas são mega educadinhas e não fazem dentro de casa. Salvo raros casos onde está chovendo muito e elas fazem em cima de um tapete kkkk não dá nem pra ficar bravo.

De pontos negativos, eu disse que a casa parece espaçosa porque a princípio tem muito espaço livre, mas a disposição da casa é péssima. O quarto que a gente dorme tem mais jeito de ser um escritório, onde eu fiz meu escritório tem mais jeito de quarto. A sala é comprida, porém estreita, então entre o sofá e a TV tem pouco espaço. Tem um quartinho que a lov fez de escritório que é meio do lado de fora depois da lavanderia, então tudo isso gera uma sensação na gente que nenhum dos cômodos da casa parece fazer a função pra que foi projetado.

Na pandemia, estreando no trabalho remoto, se intensificou ficou muito pra mim um incômodo com as luzes muito claras. Eu teorizo que por trabalhar olhando pra uma tela o dia todo, chega o fim do dia eu não tô suportando mais ver luzes claras. Tentei resolver trocando as lâmpadas centralizadas por aqueles trilhos de spots de led, assim daria pra direcionar melhor/controlar melhor. Ajudou, mas não resolveu, ainda prefiro ir apagando tudo e parece que nunca tá confortável.

Apesar dos esforços, parecia que nunca estávamos confortáveis. Com a falta dos armários embutidos e os espaços mal diagramados que comentei, nunca estava tudo organizado e confortável. A gente ia descansar nos fins de semana e a sensação é que deveríamos estar limpando/organizando ao invés de descansar. Faltava aquela sensação de aahh que lugar gostoso pra relaxar sabe?

E isso deixava a gente meio mal, meio se sentindo insuficiente. Veja, somos dois adultos e trabalhamos, lavamos a própria roupa, limpamos a casa, lavamos a louça, fazemos a própria comida. O esforço só pra existir é enorme! kkkkk e aí junta todos esses menores fatores parecia que nunca tínhamos descanso, mesmo nos esforçando tanto.

6 anos depois, após muitos esforços pra fazer o ambiente funcionar e após muita paciência, decidimos procurar outro cantinho. Devolver uma casa de aluguel é um processo caro, fazer uma mudança é estressante, mas sentimos que tinha chegado a hora de fazer isso.

Dessa vez buscamos uma casa pensando em outros parâmetros. Ainda precisa comportar as cachorras, mas não precisa mais estar perto de pontos de ônibus, o que abre boas opções. Buscamos um cantinho pensando na experiência do lugar, coisas como onde vamos tomar um café pra desacelerar? Tem lugar pra tomar um solzinho? Olhar o céu? As cachorras vão estar confortáveis? Como vai ser cozinhar? Limpar? Organizar? É, uma vantagem da vida adulta é que a gente vai ficando mais esperto né hehehe de conseguir enxergar tudo isso com mais clareza pra além da subsistência.

Achamos um cantinho que cumpria esses requisitos. Uma casa mais moderna, com bons armários embutidos, uma boa disposição na casa. Uma sala ampla pra gente não ficar colado na TV, uma boa cozinha, e o melhor: um modesto jardim de grama nos fundos que pega um sol maravilhoso de manhã! A nossa mudança está marcada para o dia 5 de setembro. ihaaa!

Bom, e o que isso tem a ver com o BEDA? Bem, quando agosto começou já tínhamos decidido que ia acontecer a mudança e passaríamos o mês lidando com imobiliária, pintor, eletricista, encanador, etc pra fazer alguns ajustes necessários e pra fazer a devolução dessa casa que nós já havíamos feito modificações. Eu sabia que ia ser tenso, pois lidar com prestador de serviço costumava me tirar muito do eixo kkkkk

Eu me propus a continuar com a ideia de escrever todos os dias pois isso não seria uma obrigação chata de cumprir. Seria muito mais um momento de sossego, e mais importante: um momento pra eu continuar sendo eu, mesmo durante esse mês de caos.

O bicho pegando e eu tirando um tempo pra fazer esse texto que é bastante especial pra mim (Teatro com Libras e histórias de vó), ou pra contar mais do meu dia a dia (o que eu faço pra não ficar maluco), ou separar um tempo pra falar de um dos meus livros preferidos da vida (Frankenstein #1: Mary Shelley e uma história do abandono) , e até pra falar de algumas fotografias que eu gosto de coração e ainda não tinha parado pra postar (Contemplar). Tudo isso e muito mais aqui nesse humilde cantinho da internet.

É como se voltar pra escrever no blog fosse o momento que eu voltasse pro meu mundinho da lua. Falar de coisas não-produtivas, de fotografia, de filmes, besteiras e memes. Também pra convergir/interagir com as outras pessoas queridas que também estão escrevendo muito em agosto, isso foi absolutamente incrível.

Até agora tem dado tudo certo, salvo as surpresinhas bombásticas que aparecem e me bagunçam todo hahaha. Fiz meus exercícios sem faltar um dia, me alimentei bem, resolvi minhas responsabilidades no trabalho. A única coisa que penou um pouco foi o sono. Mesmo parecendo que estou dando conta de tudo, o sono não mente. Tem acontecido algo bem irritante onde eu acordo umas 4:00 bem desperto já e tenho dificuldade pra voltar a dormir. Que ódio! kkkkk mas eu percebi que foi a ansiedade da mudança num dia que resolvi uma parte grande do problema, e nesse dia eu relaxei e dormi super bem. Ai eu entendi e pensei ah tudo bem, mais uns dias e isso passa.

Eu entendo que esse post possa soar um tanto mesquinho no sentido de "ah lá o maluco está numa casa boa e não tá bom". Sim, essa pode ser uma interpretação. Sim, eu poderia ficar aqui mais 6 anos tranquilamente se precisasse. Mas eu vejo que na minha vida muitas vezes eu me privei de dar certos saltos de conforto por uma certa ideologia mais minimalista de viver. Um misto entre ser meio hippie e desapegado, e um misto entre ter medo do futuro e da incerteza dentro de um capitalismo tardio que pressiona cada vez mais. Mas hoje, um pouco mais velho, um pouco mais sabido, eu escolho buscar mais, sonhar um pouco mais alto. Ter um lugar aconchegante, receber família e amigos sem estar exausto e sem evitar as visitas porque a casa não vai estar confortável.

Eu quero tudo isso e mais um pouco.

Aos que fizeram parte do meu mês, muito obrigado. Ainda me surpreende muito o fato de algumas poucas pessoas se interessarem pro que eu tenho a dizer, então obrigado a quem me visita aqui com alguma frequência e obrigado a todos que também escreveram muito nesse mês muito doido de BEDA — eu amei ler todos os textos de vocês e ainda tenho muitos na fila pra terminar com calma em setembro.

Um bom setembro pra nós todos!