Coisa boa é pra sempre
Me dê a mão, me abraça
Viaja comigo pro céu
Sou gavião, levanto a taça
Com muito orgulho, pra delírio da fiel1
O time do povo seguia na competição da Copa Do Brasil de 2025, depois de alguns anos difíceis.
Um brinde ao jubileu de prata
Convido a massa pra comemorar
Explode um grito na galera
Tem gol de fera, para delirar
Enfrentamos nosso rival nas oitavas. Os deuses do futebol têm uma forma peculiar de punir a soberba, e o time de verde foi derrotado em ambos os jogos de ida e de volta.
Hoje sou criança
Reino encantado de brinquedo e fantasia
Na minha lembrança
Sonhei dourado e brinquei de poesia
Na semifinal enfrentamos o Cruzeiro, bastante endinheirado e com sede de títulos. Novamente os deuses do futebol agem contra a soberba, e o holandês voador marca um gol no jogo de ida, um gol que calaria os 60 mil torcedores celestes presentes pelo restante do jogo.
No jogo de volta, em casa, por um momento estávamos eliminados. Estava assistindo na sede com o bando de loucos. Empatamos. Fomos para os pênaltis. Cássio contra Hugo Souza. Passado versus futuro. Perdemos o primeiro. Meu corpo já não parecia ser mais meu. Eu assistia à cobrança dos pênaltis como se estivesse me vendo do lado de fora. Reagia com a torcida. Parecia que éramos um.
Quinto pênalti do Cruzeiro, que seria a decisão. Hugo Souza pega. Meu corpo ainda não parece me responder. Estou tomado pelo coletivo.
Breno Bidon, de 20 anos, marca o sexto pênalti. Fim de jogo. Estamos na final.
Fadas e rainhas, mil heróis na minha história
O que é bom dura pra sempre
Fica guardado na memória
Pierrô, arlequim, colombina
Todo mundo quer sambar
Se enroscar na serpentina
Nosso oponente é o Vasco da Gama. No jogo de ida, em casa, tivemos um empate. Partimos pro Maracanã, o grande palco do futebol, para a decisão.
Estou de novo na sede com o bando de loucos. A vela pro santo guerreiro está acesa. Meus primos vieram pra torcermos juntos.
Começa o jogo. Estamos em pé e apertados no salão da sede assistindo no telão. Estou ansioso. Meu estômago dói. Já cantamos o poropopó2 abraçados. Aqui somos um.
18 minutos do primeiro tempo. Gol. Lançamento do Matheuzinho pro Yuri Alberto. Cervejas voam, nos abraçamos, gritamos.
Aos 41 do segundo tempo. Vasco empata com muito mérito. Bela jogada e um gol de cabeça, sem chance pra defesa do time do povo.
Intervalo. Nos recompomos. Segue tudo igual, precisamos abrir o placar novamente.
Volta o jogo. Bateria toca, cantamos abraçados o poropopó. Cantamos o hino. Cantamos pro timão ganhar. Cantamos "Não é brincadeira, vou vestir meu manto, manto alvinegro, tem que ter respeito, amor à camisa, vou com o Corinthians, em qualquer lugar, qualquer lugar, qualquer lugar"3
Bredo Bidon novamente. 63 minutos de jogo, daria um drible4 que entraria pra história do Corinthians. Contra-ataque. Yuri Alberto para Memphis Depay. Gol.
Volta a sensação. Não controlo meu corpo. Faço parte da massa. Reagimos juntos, cantamos juntos, nos abraçamos. Vamos cantar pro timão ganhar. Minutos finais de pressão. Reagimos a cada bola tirada pela zaga como se fosse mais um gol.
Apito final. Festa.
Olha pra mim abre o teu sorriso
É carnaval sou rei do riso
Vou gargalhar, quero alegria
Lavar a alma com o som da bateria
O povo é feliz de novo. Vai Corinthians!!!


