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Adulto pt2

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Preciso fechar o raciocínio do post Adulto e aprimorar a ideia após algumas interações sobre o assunto. Às vezes os posts pedem uma dupla, fazer o que né?

Recebi uma garrafa pelo mar no guestbook que me trouxe uma dimensão que eu não pensava muito sobre: exercer a adultice e a liberdade é maravilhoso. Sim, as vezes eu esqueço que houve um tempo de pedir permissão pra tudo e "não ser dono do próprio nariz". A vida adulta oferece muitas limitações, não seria ingênuo de pensar numa liberdade plena sendo que tem muitos fatores limitantes (trabalho, dinheiro, saúde, pessoas), mas ainda assim é bom poder tomar as próprias decisões.

Eu sinto que esqueço um pouco dessas vantagens porque não lembro de ter almejado de fato chegar na vida adulta. Perdi minha mãe aos 17, após alguns anos lidando com câncer. Por isso me sinto muito mais estilingado pra vida adulta do que efetivamente transicionado. E penso também que justamente uma falta de transição pode me gerar esses sentimentos incômodos as vezes sobre o ser adulto.

A outra ideia jogada no caldeirão foi da Bruna do falacatarina com o post: A cura vai acontecendo e quando a gente percebe, está voltando a ser esquisita como era aos 15 anos. Aí eu pensei: SUMEMO!

Deixa eu contextualizar pra vocês. Desde que eu fiz 18, o trabalho consumiu tudo de mim em termos de energia. A casa dos 20 anos foi particularmente caótica, tinha pouco espaço na minha vida pras outras coisas. Não que eu fosse um workhalolic ou nada do tipo. Simplesmente depois de uma semana acordando cedo pra pegar transporte, organizar alimentação, voltar pra casa, eu já não tinha mais energia nenhuma. E os fins de semana eram pra me recuperar e voltar pro ciclo de arrombamento.

O início do trabalho remoto em 2020 foi doido também. Mas sinto que desde uns 3 anos pra cá eu consegui retomar o controle da minha vida em relação equilíbrio do trabalho. Voltei a ter hobbies, praticar esportes, voltei a desenvolver e manter minhas amizades, voltei a fazer o que eu gosto. Me sinto mais eu. Aliás, estou entendendo quem sou eu agora, só aos 30. Estou dando espaço pras coisas boas acontecerem.

E talvez o fato de eu estar me entendendo só agora contribua pra não me ver tão adulto quanto os outros adultos. Mas assim, sinceramente? Safoda eles. A vida é boa assim.