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Bentinho é um vacilão

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Foto minha no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro

Pra fechar a dupla de posts sobre o bruxo do cosme velho, vamos falar também de Dom Casmurro, esse romance que até hoje gera altas brigas acerca de se Capitu traiu ou não.

Minha relação com esse livro começa lá pros 12/13 anos, quando peguei ele na biblioteca pra ler. Já tinha um bom hábito de leitura, vi que esse era "um dos famosos" e bora pra jogo.

Acabei achando chato. Na época até achei legal a parte da Capitu e Bentinho tendo seu romance escondido, porém um tanto maçante. Lá pra época do seminário eu já não estava entendo mais porra nenhuma, detestando o ritmo e acabei abandonando.

Existiam muitas coisas que o th-zinho daquela época não sabia. A principal era a introdução de um protagonista que não era pra ser, digamos... "virtuoso". De alguma forma eu lia aquilo considerando que Bentinho seria um bom moço no final, e essa era sua história de heroísmo e superação.

Estava muito enganado. Personagens do seu estilo de realismo machadiano são complexas, trazem contradições e defeitos brutalmente humanos. O narrador também não é confiável. Não é porque ele está contando a própria história que ele não está distorcendo a realidade. Por muitas vezes, por exemplo, Bentinho barganha com deus pra conseguir o que quer. Diz que vai rezar 100 Pai-nossos pra conseguir o que quer. Ele não paga sua dívida com deus, faz uma nova promessa, dessa vez dobrando a aposta. Consegue o que quer. Não paga de novo.

A outra questão que eu não estava preparado pra entender era a classe social daquela família descrita, a tal casa dos três viúvos: Dona Glória, a mãe de Bentinho, junto com Tio Cosme e Tia Justina. Era uma família abastada, e seu poder econômico ditava algumas dinâmicas dentro da história, por exemplo, a depreciação de José Dias contra a família de Capitu por serem de um status inferior, e que poderia até ter usado o casamento não por amor, mas como forma de ascensão social.

Tem uma questão do seminário importante também. Dona Glória havia prometido um filho ao seminário caso o filho nascesse saudável. Como ela enviuva cedo, ela tem apenas Bentinho como seu filho e herdeiro, e agora ele está prometido pra Deus pra ser padre no seminário. Que abacaxi, hein? Pra uma família abastada esse é um grande drama. Três viúvos, nenhum herdeiro, e o único homem vai virar padre.

Ao fim da trama do seminário, a família acha ainda mais uma forma de surrupiar deus. Eles vão pagar o seminário pra algum orfão qualquer virar padre no lugar de Bentinho, logo, a promessa para deus estaria cumprida e a herança também. O poder do dinheiro que compra até deus, veja só você!

Bom, me estendi bastante nessas dinâmicas que foram muito importantes pra eu entender o livro depois de adulto. No mais, o interessante é ler esse livro prestando atenção nas canalhices do bentinho e família que vão se acumulando ao longo do livro. Vai ficando claro o quanto o narrador não é confiável.

Pra finalizar, eu amo como tanto o Dom Casmurro e Brás Cubas narram a perspectiva de uma vida toda, da infância à velhice. Parece que isso coloca tudo na sua devida perspectiva de grandeza, como quando somos crianças e tudo parece o fim do mundo. O tempo passa e olhando de uma certa distância, conseguimos trazer novos olhos pras situações.

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Queria falar um pouco também da minissérie:

Capitu (2008)

A seleção pro ator do Bentinho jovem ficou impecável. Uma cara de menino mimado, extremamente socável. Perfeito! Mas sério, o mlk é bom mesmo. Eu adorei essa cena do episódio do seminário:

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Imagino o diálogo da seleção pra atriz da Capitu:

— Cleitinho, nós precisamos de uma atriz com olhos de cigana oblíqua e dissimulada
— Que porra é essa Juradir?
— Ah sei lá acha uma mulher zóiuda aí e pronto

E assim escolheram a Letícia Persiles, que é atriz e cantora. Ficou maravilhosa no papel:

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O Escobar surge como um personagem imponente, na sua introdução chega dançando em cima da mesa, ao som de "Iron Man", do black sabbath. Bentinho fica se tremilicando todo de admiração quando o vê pela primeira vez:

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A mãe de Capitu (Eliane Giardini) ficou bonitona no papel:

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Tem também uma mixagem de elementos modernos, tipo placas de rua, em algumas cenas. Eu achei isso absolutamente fantástico:

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A cena em que ele tenta dar veneno pro filho. É um vacilão memo passível de toma um salve:

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É isso por hoje, apenas alguns fragmentos sobre a série, mas eu achei uma série extremamente bem feita, misturando uns elementos mais teatrais com uma montagem de narração + cenas que ficaram incríveis. Vale muito a pena ver e são 5 episódios só. Selo th de garantia! hehe

No fim, traiu ou não traiu?

Isso é muito simples. Eu acho que

#filmes #livros