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Tentar & falhar & outras coisinhas

Eu estava lembrando dessa história hoje e achei que daria um post engraçado pro blog. Pois bem, quando criança eu fiz aula de percussão. Tudo do zero, então nossa turma tinha primeiro a aula de conceitos de compasso (o tal 4/4), melhorar a coordenação pra cada mão e pé fazer uma coisa, etc.

Eu era péssimo. Tinha um amigo meu que ia comigo pra aula e ele era algum tipo de prodígio. Pegava tudo de primeira, já tocava a bateria completa, fazia viradas e tudo mais. O Mlk era fino!

Numa apresentação, me deram pra tocar... o carrilhão kkkkk É essa porrinha aqui que faz aquele barulho de introdução, tipo um barulho de mensageiro dos ventos:

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Tinha apresentação pra gente ensaiar e tals. Meu carrilhão tocaria por 2 tempos do compasso de 4 ao longo da música toda, tipo antes do refrão. Tipo 2 segundos mesmo.

E... eu conseguia errar o tempo kkkkkkk ó céus, ó vida. Tinha 2/4 de tempo pra tocar e ainda errava porque eu ficava nervoso, aí o professor me esculachava na frente de todo mundo. Acontece que eu sou uma criatura teimosa e eu persisti na aula por um tempo ainda. Devo ter feito mais de um ano e tudo mais. Não vão me espantar tão facilmente, não, não.

Chegou a um ponto em que havia uma nova vaga pra aula de violão. Troquei, comecei do zero também e, meus caros leitores, eu era bom. Assim, não era prodígio nem nada, mas como eu era bem esforçado, praticava em casa e era o melhor da turma. Eu fazia os solos das músicas que a gente apresentava. Eu tinha os dedos bem ágeis. Tem um vídeo antigo em que estou tocando brasileirinho super rápido.

Algo parecido aconteceu nos esportes. Eu era um horror para o futebol, que é o esporte que todos os meninos jogam. Em algum momento comecei a fazer karatê e depois Muay Thai, e de novo, ali eu era bom. Não excelente, mas bom, dentro da minha categoria de peso e tudo mais, eu me dava bem.

Aqui não é porra de Linkedin e isso não é uma história de motivação, misericórdia. Mas essa história me mostra alguns traços de personalidade que eu tenho que me ajudam muito até hoje:

  1. Me dar o tempo de tentar e me permitir falhar: Eu poderia ter saído da percussão no primeiro esculacho, mas fiquei lá; ainda aprendi uma base musical importante, até que chegou o ponto em que dava pra pular pra outra coisa. E falhar sem culpa também. Às vezes não dá certo mesmo e tudo bem.
  2. Tentar mais, tentar outras formas: Essa parada das múltiplas inteligências é uma parada loka. Qual o sentido de eu ir bem em artes marciais e ser o pior do futebol da turma? Nenhum, mas assim é. Tem certas atividades cognitivas que dão um nó na minha cabeça, e eu não vou ser a melhor pessoa pra aquela coisa. Mas tem outras atividades, tem um pouco de tudo, e algo vai dar certo. É só achar.

Pra finalizar, duas fofoquinhas da vida adulta. Uma é que esse professor que me esculachava por errar o tempo do carrilhão foi eventualmente preso por tráfico de drogas. Ééeé, que karma hein? Ele estava levando droga dentro do bumbo da bateria.

Na vida adulta eu tentei por mais um tempo com violão. As músicas mais legais que consegui tocar foram Flor de Lis do Djavan e Onde Anda Você do Toquinho com aqueles acordes boladão lá tu mal consegue ler. Hoje não tenho energia cognitiva sobrando pra continuar fritando a cabeça com o violão; meu trabalho e as outras atividades da rotina já exigem muito de mim. Mas quem sabe um dia, né?

Esse post é o meu e o seu 🫵 lembrete pra tentar mais coisas. Insistir, ver no que dá. Desistir, achar algo novo. Ser um eterno aprendiz, vai que, né?