leituras desses dias
As leituras recentes são, de forma direta ou indireta, recomendações da nossa amiga Semmy.
Vamos começar pela recomendação indireta: na quinta série, uma professora contou pra gente a história do Cão dos Baskerville, do Sir Arthur Conan Doyle, estrelando o Sherlock Holmes — ou melhor, xeroque rolmes:

Aí aconteceu que eu já nem lembrava de mais nada da história pra além de um cão demoníaco. Até que Semmy colocou uma foto nesse post que a primeira coisa que veio na minha cabeça foi o tal do cão dos baskerviles!
Olhando em retrospecto, refleti sobre o quão legal foi uma professora ter contado pra gente essa história clássica. Vocês vão perdoar esse jovem senhor, pois eu não lembro quem era a professora, mas recordo com carinho, já que se ela trouxe essa história, quer dizer que ela gostava muito e achou que a gente ia gostar também.
Comecei a leitura, fiz uma viagem, então tive bastante tempo de tranquilidade. Li uns 5 capítulos e vou registrar aqui algumas impressões sobre esse autor e personagem que consolidou e popularizou o gênero.
Primeiro, o Sherlock Holmes é bem babaca kkkkkkkk o narrador é o Watson, seu amigo e assistente. O Sherlock, então, incorpora todos os trejeitos de um detetive genial caricato. Deve ser um caba insuportável de estar perto! Mas isso faz parte da história, lendo ficção faz parte a gente permitir que a história nos leve aonde o autor quer chegar.
É interessante pegar um recorte do final da era vitoriana na Inglaterra. Dá pra pescar alguns conceitos sobre a hierarquia social, o uso de "Sir", "Lord", alguns avanços tecnológicos da época, como o telégrafo. Nas entrelinhas também dá pra ver o imperialismo britânico em ação, por exemplo, num trecho mencionaram que alguém ficou rico com a especulação financeira da África do Sul.
Uma história que vou contar aqui: no crime que estão investigando, uma pessoa recebe uma carta que, em vez de ser escrita à mão, é feita com recortes de palavras de jornal.
O Sherlock bate o olho nisso e fala: alguém pega pra mim a edição do Times de hoje (The Times, jornal britânico), e com isso ele pega o primeiro artigo de capa e encontra as palavras exatas que batem com as palavras da carta. Todo mundo fica UAUUUU como você fez issoooo???
Aí ele fala: Você que é médico, sabe diferenciar um osso X de um osso Y só batendo o olho, né? Então, pra isso aqui é a mesma coisa, é impossível eu confundir a tipografia do The Times!
É, ele é bem amostradinho mesmo pessoal, e acrescenta que o Times seria lido principalmente pelos mais estudados, então quem fez aquela carta não era um fudido qualquer, já que lia aquele jornal específico. Achei isso bem interessante e curioso, já que hoje temos inúmeras fontes disponíveis pra usar, e nós, pessoas comuns, não reparamos tanto.
Holmes, então, reflete muito o pensamento científico da sua época, o empirismo (John Locke). Ele observa os fatos e tira as hipóteses e conclusões pra suportar as teorias que ele já tem.
Mais pra frente, o Karl Popper se opôs a essa corrente de pensamento, argumentando que a ciência não se constrói acumulando observações que sustentam a hipótese, pelo contrário: a ciência deve ser feita buscando artefatos testáveis que possam derrubar a hipótese, a falseabilidade. Ou seja, pra qualquer afirmação, é preciso ter formas de prová-las contrárias. Se não houver forma de provar o contrário, a hipótese não é considerada científica.
Bom, divaguei um pouco, mas vou continuar lendo o livro e depois trago mais impressões. É bem divertido e achei bem dinâmica a construção da história, então rapidinho tu lê mais. Ah, e fica claro também que Sherlock é a inspiração pra todas essas séries de detetives modernas (tipo O Mentalista)
A segunda leitura, que foi a recomendação direta da Semmy: Escute as feras, Nastassja Martin

Ainda li pouco, mas já deu pra ver que é um daqueles livros que te atravessam, que você fica procurando quem foi que te atropelou depois.
Esse trecho fica na parte de trás da capa:
"Nesse dia 25 de agosto de 2015, o acontecimento não é: um urso ataca uma antropóloga francesa em algum lugar nas montanhas de Kamtchátka. O acontecimento é: um urso e uma mulher se encontram e as fronteiras entre os mundos implodem. Não apenas os limites físicos entre um humano e um bicho que, ao se confrontarem, abrem fendas no corpo e na cabeça. É também o tempo do mito que encontra a realidade; a outrora que encontra o atual; o sonho que encontra o encarnado. A cena que acontece nos dias de hoje, mas poderia muito bem ter ocorrido há mil anos"
Vou deixar a recomendação dos posts da Semmy:
E vou ficando por aqui! Volto quando tiver progredido na leitura, estou muito animado, só não li mais hoje cedo porque fiquei sem ar com as descrições das cenas do hospital kkkkkkkk é...
Um abraço!