boas séries ruins - o mentalista
eai, de boa?
esses dias estava precisando assistir alguma coisa pra distrair, sem ter que pensar muito. vocês sabem como é, cansaço cognitivo da vida e trabalho não é brincadeira hehe
acontece que eu já tinha assistido O Mentalista muitos anos atrás, e fui vendo que estavam pipocando youtube shorts da série pra todo lado. parece que caiu na graça do público novamente.
fui pesquisar o motivo, e aparentemente desde que entrou na netflix (faz menos de um ano), o pessoal começou a assistir pra valer.
para os padrões de hoje, é uma série sem nada muito especial. Série de detetives americanos resolvendo crimes? tem coisa mais manjada que isso? mas de toda forma, tem algumas coisas especiais e interessantes nessa série, e vamos tentar explorar aqui o motivo da popularidade dessa série hoje em dia.
primeiro, geralmente os cortes do youtube focam no protagonista, o Patrick, como uma figura masculina muito foda, etc etc. Isso bomba nas redes né? ahahha mas eu acho que tem muito mais por aí.
acredito que as personagens tem sempre uma dualidade no caráter. o Patrick, que, apesar de estar ajudando a justiça, ele já deixa avisado que quando achar o Red John, o cara que matou sua mulher e filha, ele vai passar o facão no cara.
gosto muito da personagem da Lisbon, a chefa da turma. a dualidade dela vem de ser durona e demonstrar ternura. é como se ela fosse uma pessoa de coração muito bom, um tanto meiga, mas que desenvolveu uma casca pra lidar com a vida? é algo assim. Adoro ver ela sendo a chefona da galera, tipo quando eles tem alguns embates de jurisdição, e ela tem que falar pra algum policial machão tipo um "calma calabreso, quem manda aqui sou eu" kkkkkk
o Cho, outro agente casca grossa que provavelmente só deu um sorriso a série toda. Sua dualidade vem também de estar na justiça, mas já ter tido um passado no crime. Além disso, apesar da postura pokas ideais, ele é muito leal e se preocupa com seus companheiros.
Rigsby, o agente que seria meio alívio cômico etc. A dualidade dele pra mim vem dele ser meio abobalhado, mas em contraste ser um ótimo profissional. Ele é o especialista em crimes de incêndio, aí é maneiro ver ele incorporando o competente no lugar do atrapalhado.
Van Pelt, a mais nova do squad e eventual par romântico do Rigsby. Ela entra como um contraste com o Patrick, já que ela acredita em coisas sobrenaturais como videntes, o que é um grande calcanhar de Aquiles pro Patrick. Então é acaba sendo percebida como a mais sonsa do grupo, se fosse uma carta de tarot provavelmente seria O Tolo, por sua forma de ver o mundo. Sua dualidade vem por meio da competência, onde ela também é muito boa no que faz, geralmente ajudando a equipe com toda questão técnica dos computadores, pesquisas e cruzamento de dados. É a hacker da galera.
Eu vejo que essas personalidades juntas na trama torna tudo muito interessante. As interações com personalidades contrastantes são muito divertidas de se ver. O Patrick, como é apenas um consultor, pode meter o louco e resolver coisas de formas cruzando beirando os limites da lei, então é muito engraçado ver as canalhices que ele vai aprontar pra resolver os casos. É um con artist em ação, minha gente!
E, claro, o ator do Patrick é extremamente carismático. Dá pra entender todo a fama da série hahaha o cara é bom mesmo.
Bom, acabei falando demais, mas o ponto é que o "boas séries ruins" do título é só um bait mesmo, perdão. Eu gosto de verdade dessa série, seja quando vi no passado ou agora.
Mas isso levanta uma questão: as séries mudaram muito. Antes tinha temporadas com 20 episódios todo ano. Episódios imperfeitos? Claro. Histórias que as vezes se enrolam na narrativa e criam finais péssimos? Claro.
O contraste pra hoje é que temos um rigor de produção muito maior, uma régua de qualidade bem mais alta. O lado bom? Os episódios são incríveis. O lado ruim? Leva anos pra sair kkkkkkkk
Por exemplo, estou assistindo A Casa Do Dragão, do universo de Game Of Thrones que eu amo. Produção foda, multi milionária e os caralho.
Mas, quando sai uma nova temporada, eu já esqueci muita coisa kkkk porra passa dois anos e a memória do caba aqui já se perdeu. E como a história é bem densa, com uma riqueza de detalhes única, eu preciso ter um esforço de relembrar, ver os resumos e etc.
Fora que assistir a um episódio é um esforço cognitivo alto pra mim. Não é uma coisa que consigo assistir no meio da semana, por exemplo, quando estou cansado do trabalho. É uma coisa mais pra fim de semana, descansado, e nem muitos episódios. A sensação é de assistir um filme mesmo. Vale a pena? Muito! Mas cansa bastante.
SOBRE A FOTOGRAFIA
As primeiras temporadas da série ainda foram filmadas em película analógica. Quando percebi a diferença fiquei maluco hahahah a gente se acostumou com todas as novas séries sendo filmadas em digital, que a gente não percebe o tanto que mudou.
Basicamente, a fotografia analógica consegue proteger bem as partes claras da cena, sem estourar. Isso ajuda a criar uns contrastes sinistros, tipo os que comentei no post da exposição. Fora que, no analógico, muita vezes a iluminação era criada na cena, com menos dependência do pós produção. No digital, hoje em dia, tem muito mais aquela de filmar de forma mais simples e adicionar os frufru na edição.
Olha só, reparem em como as cenas em geral tem mais cor. Os tons de pele estão belíssimos. Muitas vezes o digital foi evoluindo pra uma paleta de cores mais mutada, e aqui dá pra ver o tanto que mudou.
Reparem como a pele tem textura, típica do analógico, e que o digital tem dificuldade de acompanhar:


E essas cenas onde metade do rosto é iluminado combinam muito com a dualidade que comentei do personagem, é como se você estivesse vendo uma divisão, as duas faces da pessoa.

É isso por hoje pessoal, um post mais relax no meio dessa semana tensa. Um abraço!
(e me contem qual é a boa série ruim que vocês gostam)