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impostos no debate político

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nessas eleições o argumento que eu mais vejo repetido até a exaustão é a questão do governo x impostos.

no entendimento da economia no senso comum, as pessoas imaginam o governo como uma casa familiar. Como na sua casa, primeiro você precisa ganhar o dinheiro (via impostos) pra depois gastar (com infraestrutura, programas sociais, etc).

acontece que tem uma grande diferença entre a sua casa e o governo:

A SUA CASA NÃO EMITE MOEDA.

O governo sim. Reais, dólares ou euros são moedas fiduciárias. Isso significa que a moeda não tem nenhum valor intrínseco, tampouco é lastreada em algum ativo físico como o ouro.

Aí você vai me dizer: AAA MAS O GOVERNO EMITE MOEDA E CAUSA INFLAÇÃO !!!!!!!!1111

Calma. Eu sei que isso é o que todos nós sempre ouvimos propagado por aí, por políticos principalmente da direita, mas macroeconomia não é tão simples assim.

Lembra que eu disse que a moeda não tem nenhum valor intrínseco? É literalmente um pedaço de papel, ou números numa conta digital. Como que a gente confia que esse dinheiro vale o que dizem que vale?

Parte do papel do governo, como emissor da moeda, é forçar o curso e conduzir a demanda da moeda. Funciona assim, se todos os cidadãos precisam pagar tributos na moeda REAIS, então todos os cidadãos precisam conseguir reais, e não qualquer outra coisa. É por isso que a gente sempre aceita reais, e não fica pagando mercadorias com saco de batata.

A tributação, em conjunto com um sistema financeiro eficiente e confiável e uma economia estável vai criar uma rede de confiança naquela moeda.

Vou dar um exemplo dos nossos hermanos argentinos, talvez quem já visitou vai se lembrar. Nas feirinhas e lugares mais turísticos, eles amplamente aceitam reais, a moeda brasileira. Estranho, não? Acontece que a argentina tem uma economia toda cagada já faz muito tempo, hiperinflação e os caralho. O povo argentino tem pouca confiança na sua moeda, e prefere guardar qualquer outra coisa. Tem muitos casos de contratos variados (como aluguel) negociados sempre em dólar, pensando em proteções contra a inflação.

Eu sei que a situação no Brasil não é maravilhosa, MAS, desde o plano real, temos relativa estabilidade na nossa economia. Não tem ninguém guardando dólar no colchão com medo do poder de compra derreter mês que vem. Temos sim inflação, mas relativamente controlada, o que faz parte da economia em todos os países capitalistas com moeda fiduciária como a nossa.

Estou dizendo tudo isso pra chegar no ponto que: o governo não é como uma família que tem que ganhar pra depois gastar. O governo emite a moeda pra cobrir os gastos, e depois por meio da tributação ela força a demanda pela moeda, e também destrói parte da moeda emitida (retirada de liquidez). Essa é a Teoria Monetária Moderna.

Todos os países capitalistas que se desenvolveram bem (estados unidos, japão, china, etc), o fizeram por meio do gasto estatal. Criação de infraestrutura, pra eventualmente se posicionar melhor no mercado global. Esse papo de que o governo não pode gastar serve apenas pra manter o país no subdesenvolvimento, assim o Brasil pode continuar sendo o pastão de soja e gado do mundo, sem nunca ver a cor do desenvolvimento.

E A DÍVIDA PÚBLICA HEIN? HEIN? HEIN?

Lembra que eu disse que os estados soberanos emitem sua própria moeda? Então, basicamente, pouco importa a dívida pública, desde que a economia esteja balanceada e tenha boa reserva de dólares na economia. Parte do problema da argentina é esse; com pouca exportação, eles têm pouca reserva de dólar, o que não protege o pais contra crises cambiais.

Basicamente: emite moeda, gasta, força o curso da moeda, garante a confiança da moeda, coleta tributos, repete.

E outra coisa que não posso esquecer:

O DÉFICIT PÚBLICO É O SUPERAVIT PRIVADO.

O governo gasta, e quem enche os bolsos são os grandes capitalistas. Imagina comigo que pra construir qualquer infraestrutura pública, o estado vai contratar uma empresa privada pra realizar o serviço. Logo, esse deficit público (emissão de moeda, dívida) vira o superávit no balanço de uma empresa. A classe trabalhadora é paga em forma de salários e o dinheiro circula. Dinheiro circulando e demanda por reais -> confiança na moeda.

Aproveitando o assunto, a grande ironia da demanda por privatizações passa por aí. O governo assume o risco de construir infraestrutura, depois com a pressão das privatizações (por meio de sucateamento), essas estruturas passam para o setor privado. É o velho "socializar o risco, privatizar o lucro".

Esse é um breve post pra tentar aprofundar nesse tema dos tributos/impostos que o pessoal da direita não cansa de falar. É um tanto mais complicado do que parece, afinal, macroeconomia não é simples. O problema é que esse pessoal provavelmente entende bem o que tá falando, mas o discurso de que o governo gasta muito favorece a narrativa deles.

Amanhã, votamos 13!